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O PALCO DOS ENCONTROS
"E a St. Vincent falou: 'ah, então eu vou fazer uma trilha sonora' e pegou o violão"
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- Laura Vicente

L aura Vicente nunca somou a quantidade de festivais que já participou. Ela trabalha no grupo Globo desde 2014 e já cobriu edições de Lollapalooza, Rock in Rio, MITA, The Town e mais diversos projetos de música ao vivo. Apresentadora, Laura é um dos rostos mais conhecidos nos canais Bis e Multishow. Ela é a pessoa com quem os artistas conversam antes ou depois dos shows, seja no backstage, na rampa de entrada para o palco ou até mesmo no camarim.
Conhecidos por reunir um line-up repleto de artistas conceituados na indústria musical, Lollapalooza, Rock in Rio, MITA e The Town são os eventos que formam um grande público tanto no local do show como em casa.
OS GRANDES FESTIVAIS
A preparação para um festival começa muito antes do primeiro dia de apresentação. No Multishow, a produção se une ao propósito de falar de música de um jeito leve, televisionar um alto número de shows e atingir um grande público. A partir disso, a parte técnica começa a ser planejada com posicionamentos de câmeras, geradores, escritórios, camarins e os demais equipamentos necessários – assim como o estudo sobre os artistas que estarão presentes no festival, os workshops de conteúdo. São semanas de material reunidas por uma equipe de pesquisa da Globo. Eles reúnem uma ficha técnica de cada artista que se apresentará e dividem equipes a partir do foco de cada um na transmissão.
A Globo possui uma equipe de pesquisa que colabora diretamente na realização da transmissão de grandes festivais, conta Laura.
Laura conta que na hora do ao vivo, se a primeira apresentação do dia do festival começa fora do horário previsto, ele atrasa o segundo, o terceiro e o quarto show. Por isso, a preparação de conteúdo é planejada para qualquer circunstância: seja uma demora por causa do trânsito da cidade, por algum motivo técnico ou por uma invenção artística, um efeito especial que não funciona antes do início do set — quando o performer decide colocar uma plataforma que sobe acima do nível do palco e essa quebra logo antes do show, por exemplo. Daí, então, surgem as enrolações no ao vivo. Por estar no backstage, o local mais próximo ao palco, na maior parte do tempo, Laura é quem segura esses momentos pré-apresentação.


Conhecido como o 'palco dos encontros' no Rock in Rio, o espaço foi criado em 2011 com o intuito de reunir grandes nomes da música brasileira. Mais de 140 shows nacionais e internacionais já aconteceram no Sunset desde então.
PALCO SUNSET
Os perrengues fazem parte dos festivais e, para os apresentadores, não é diferente. No show de Avril Lavigne no Palco Sunset do Rock in Rio 2022, Laura explica que realizou um sonho de adolescente, mas não foi fácil assim: a cantora é inatingível. Antes de se apresentar no festival, a turnê passou por São Paulo em um show esgotado realizado no Espaço Unimed com Day Limns como ato de abertura. Laura fala que pensava que a cantora brasileira teria tido a oportunidade de até beber com Avril, mas nem teve a chance de conhecer a canadense. Na realidade, Day apenas recebeu um pôster autografado.
Com capacidade para 8 mil pessoas, o antigo Espaço das Américas foi reinaugurado em 2011. Com um palco de 20 metros de largura por 11 metros de profundidade, artistas como Rosalía, Anavitória, Demi Lovato e Emicida já se apresentaram na casa de shows.
ESPAÇO UNIMED
A partir disso, a equipe do Multishow recebeu a resposta que não poderiam fazer nada sobre a apresentação. Não teria ninguém por perto no backstage, nenhuma câmera no palco para acompanhar a artista e muito menos entrevista exclusiva. Laura, então, decidiu desenrolar o inglês e conversar com o produtor da cantora sobre a transmissão. Ela contou que o canal era brasileiro, um dos maiores do mundo e que estavam transmitindo o festival por completo, todos os shows dos principais palcos e frisou a importância que seria ter ao menos a subida de Avril para o palco nos instantes anteriores ao show – e o produtor autorizou na mesma hora.
Hi, Rock in Rio!
Laura Vicente
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A entrada deveria ter sido previamente gravada, mas Avril atrasou e o show do outro palco acabou. No ponto, a apresentadora recebeu a notícia que teria que entrar ao vivo. Ela lidou com o nervosismo e aproveitou o momento para destacar uma das partes mais legais de uma transmissão: a dinâmica, a estrutura e a experiência. Laura afirma que informações pessoais e profissionais sobre artistas podem ser encontradas em poucos cliques na internet, mas a singularidade do que acontece por trás de um festival é o que transforma a transmissão em uma vivência forte e única.
Para Laura, um dos maiores desafios da carreira como apresentadora foi a conversa com Avril Lavigne.

No Lollapalooza 2019, Laura também precisou lidar com atrasos, mas dessa vez com vários artistas. Era a segunda edição de três dias da história do festival em São Paulo, e por causa disso, o trânsito estava além do comum e nem os artistas conseguiam chegar ao Autódromo de Interlagos. A apresentadora, então, acabou pulando de performer em performer até chegar em um nome: St. Vincent.
Além de ser casa de grandes competições automobilísticas no Brasil, o Autódromo de Interlagos é administrado pela Secretaria de Governo Municipal e possui três áreas que podem ser utilizadas para eventos: cobertas, semi-cobertas e ao ar livre.
AUTÓDROMO
Laura conta que já de início explicou para a cantora o que sempre fala para os artistas, que é preciso que a tradução do inglês para o português seja feita durante a gravação, porque não dá tempo de o material ser legendado e que depois que a pergunta fosse respondida, ela traduziria – e aí entra a parte que os artistas podem fazer o que quiser para descontrair e se sentir à vontade. Em outras conversas como a com o DJ e produtor Diplo, enquanto a tradução acontecia, ele decidiu pegar um maço de dinheiro em reais e contar. Com uma banda gringa, eles decidiram fazer uma dancinha. Multi-instrumentista, St. Vincent decidiu pegar o violão e fazer uma trilha sonora.
Elas não ficaram
Laura Vicente
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Ainda em 2019, Laura conta que durante o estudo no workshop, ao puxar curiosidades aleatórias dos performers, acabou descobrindo uma artista com a mesma habilidade que ela. A ideia da produção era fazer o encontro de talentos acontecer na televisão. Enquanto IZA se apresentava no Palco Sunset do Rock in Rio, Jessie J foi entrevistada pelo estúdio do Multishow. Ela relembrou o show realizado em 2013 em território brasileiro, conversou sobre empoderamento feminino e performou o sucesso Price Tag em um dueto – só que de boca fechada.
Sem voz por ter encarado a chuva no show do Drake no primeiro dia de festival, Laura dividiu o sucesso da britânica e o talento das duas foi para as telas do Multishow. Ela conta que isso aconteceu pela pesquisa do conteúdo, pelo fato da equipe ter descoberto a curiosidade antes e ter colocado o estudo em pauta.
Laura descobriu uma curiosidade em comum com a cantora Jessie J durante o workshop e levou o conteúdo para entrevista do Rock in Rio.
Nem sempre as entrevistas rendem. Com Roger Waters, por exemplo, a pauta precisava ser sobre música. O artista estava no Brasil para o lançamento do novo álbum, mas acabou abordando apenas tópicos sobre política nas respostas – algo que foge dos assuntos abordados no Multishow. A conversa acabou sendo uma frustração de dez minutos por uma entrevista que praticamente não teria uso no canal.
Por outro lado, conversas interessantes não necessariamente precisam ser feitas com artistas. Em shows, a plateia é um dos pilares da energia no palco. Laura diz que, antes da apresentação de Liniker no Rock in Rio, viveu algo novo na televisão: um pedido de casamento remoto. Na plateia, a fã contou que o casal possui um trecho da música da cantora na aliança de namoro e que, por isso, ela gostaria de pedir a mão da namorada ao vivo nos canais Globo – só que com a pessoa assistindo em casa, pela TV. Com a resposta pelo celular, Laura transmitiu o primeiro pedido de casamento – remoto e antes do show da Liniker no Rock in Rio – na televisão.
No Lollapalooza, uma conversa que ela precisou correr atrás, como a de Avril Lavigne, foi com Years & Years. Ao passar pelo backstage, Olly Alexander, o vocalista da banda, estava fumando um cigarro. Fã, Laura chegou até ele e pediu por uma entrevista – algo que normalmente não é negociado com o artista, mas sim com assessoria, escritório ou gravadora.
O bastidor da entrevista
Laura Vicente
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No cenário musical, Laura possui um currículo que conta com Gal Costa, Criolo, Pabllo Vittar, BaianaSystem, Ludmilla, Rael, Gloria Groove, Gilberto Gil, Caetano Veloso e pode dizer que possui uma boa relação com nomes tão importantes na indústria. No mundo da música, a linha entre ser fã e ser profissional é tênue: gostar de um artista pode atrapalhar pela fascinação, mas também pode ajudar pelo extenso conhecimento sobre uma carreira. O equilíbrio entre apresentar e curtir o som de um cantor é usar o conhecimento sobre o artista em seu favor. Laura acredita que a chave é estudar, aproveitar para se dedicar às melhores perguntas e, claro, curtir o momento de maneira genuína. O segredo é permitir quando uma emoção te atravessa.
Laura acredita que a base da conexão durante as conversas é a humanização dos artistas, é a compreensão de que esses são pessoas no trabalho.
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