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A HARMONIA DA MONTAGEM
"O Justin torceu o pé. Ele não vai conseguir se apresentar, então o show está encerrado"
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- Thiago Campbell
Thiago Campbell perdeu as contas de quantos shows já trabalhou. No mercado há quase 13 anos, ele é freelancer, dono da própria empresa e realiza serviços para mais de uma produtora. Para a Mercury Concerts, Campbell é parte da equipe de prestação de contas. Se um show precisa de 800 carregadores para fazer a produção, ele é a pessoa que reporta a entrada de trabalhadores, o controle de maquinários e documenta o necessário dos prestadores de serviço para o financeiro da produtora conseguir fazer o pagamento.

No mercado há mais de 20 anos, Bon Jovi, Guns N' Roses, Kiss e o festival Monsters of Rock são algumas das realizações da Mercury Concerts.
MERCURY CONCERTS


T4F
Na Live Nation e T4F, Campbell é do time de site e operações. Ele monta toda a estrutura do evento, do palco à área externa. O trabalho vai além da apresentação do artista em si: a equipe de site e operações é quem dá forma ao evento. Entrada do público, condicionamento dos setores do local do show, montagem, desmontagem e até organização externa com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Polícia.
LIVE NATION
Desde 1983 no mercado, o histórico de eventos de entretenimento ao vivo da T4F conta com artistas como Paramore, Taylor Swift, McFly e oito edições do Lollapalooza.
No meio do caminho você vai conhecendo as pessoas, elas vão te dando uma oportunidade e aí você vai aprendendo.
O showbusiness não deixa de ser isso, porque como você não tem o trabalho fixo num lugar, você acaba fazendo vários projetos e conhecendo várias pessoas
Thiago Campbell
coordenação e operação de shows
Para quem trabalha nos bastidores, a apresentação começa bem antes do dia do evento. Thiago explica que os detalhes da preparação para o show são variáveis e se definem a partir do tempo de pré-produção e do local escolhido para apresentação. Em uma performance de turnê, o trabalho de cinco meses se inicia com a troca de e-mails entre o responsável de infraestrutura e o responsável de técnica. A partir das informações recebidas, o orçamento para a organização é criado com o valor, estrutura e, ao chegar mais perto da execução, o número de profissionais envolvidos aumenta na equipe. Na sequência, o esboço do projeto começa a tomar forma com o avanço do trabalho em conjunto da estrutura – como a definição do posicionamento das torres de propagação de som para o público – e a técnica – os tipos de caixas de áudio que serão utilizados nesses equipamentos.
A estrutura dos shows
Thiago Campbell
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Em um lugar como Allianz Parque, um dos estádios mais utilizados para entretenimento ao vivo no Brasil, os trabalhadores praticamente só precisam montar o palco, já que o resto da estrutura necessária para um evento faz parte da área. No Morumbi, por exemplo, a estrutura de montagem é outra. Antes mesmo da operação, é necessário ir para o gramado do estádio, aos anéis inferiores e montar uma rampa de acesso para a pista.
Inaugurado em 2014, comporta até 55 mil pessoas em shows. Artistas como Harry Styles e The Weeknd já se apresentaram no local.
ESTÁDIO DO MORUMBI
A primeira apresentação da história do estádio tricolor foi a da banda Queen, em 1981. Com mais de 70 mil pessoas na plateia, o Coldplay foi a última apresentação realizada em 2023.
ALLIANZ PARQUE

Na indústria de produção, geralmente festivais são operações mais complexas. No Primavera Sound 2022, por exemplo, o trabalho começou dez meses antes do primeiro dia de festival. Para esse tipo de evento, Campbell conta que o tempo de montagem é o dobro de um show comum, já que a operação é maximizada por possuir mais de um palco e reunir muitos artistas em um único dia. O Distrito Anhembi, local onde ocorreu o Primavera, é uma área que precisa de uma montagem especial, justamente por possuir diversos espaços e necessitar de mais estrutura.
DISTRITO ANHEMBI
Já reuniu cinco palcos nos dois dias de Primavera Sound e ocupou todos os espaços disponíveis no local com os mais diversos gêneros musicais. Além do festival, Dua Lipa e Justin Bieber já se apresentaram no Distrito Anhembi.
Parte da equipe de montagem do Primavera Sound, Thiago afirma que as diferenças entre shows de turnê e de festivais vão além da estrutura dos palcos.
Durante esse processo de montagem de shows e festivais, há preocupações na preparação do esquema de segurança do público e dos artistas. Em 2021, o festival Astroworld, em Houston, nos Estados Unidos, deixou dez mortos e milhares de feridos após o público romper a barricada de segurança durante o show do rapper Travis Scott. Segundo o TMZ, os processos envolvendo a tragédia passam de US$750 milhões.
Um ano após o incidente, Travis se apresentou como um dos headliners da primeira edição do Primavera Sound em São Paulo. Thiago diz que pelo histórico do rapper, o desenho de barricada foi pontualmente pensado na segurança e a equipe artística se preocupou ainda mais em não provocar a plateia. Além do monitoramento com brigadistas, o festival possui um staff que cuida especificamente da proteção do artista e do público. A equipe de Safe and Security é composta por profissionais nacionais e internacionais altamente preparados que trabalham em conjunto com o time de site e operação.
Safe and Security
Thiago Campbell
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Quando a produção não pode ter controle da situação, como no caso de chuvas fortes, raios, trovões e enchentes, o trabalho é grande. Em um dos onze shows brasileiros da turnê Music Of The Spheres World Tour, da banda Coldplay, o alagamento foi um dos problemas enfrentados pela equipe. Em trabalho conjunto com a Polícia Militar, a equipe de Campbell precisou alocar o público nas rampas do Morumbi para tentar tirá-las da área e mantê-las em segurança, com a ideia de manter a melhor experiência para o público – mesmo que esse trabalho muitas vezes não seja reconhecido.
Depois de uma forte chuva na turnê de rock dos norte-americanos da Aerosmith, uma estrutura caiu. A queda aconteceu em outro país, alguns dias antes da data do show e o show precisou ser cancelado. Thiago comenta que o problema ocorreu logo após a apresentação no Brasil e que, ao fechar um contrato de shows, produtoras precisam obrigatoriamente pagar um seguro de responsabilidade civil, que protege trabalhadores em casos de acidentes e, dependendo do seguro contratado, podem proteger empresas e o público para reembolsos em casos de cancelamento.
A política de cancelamento de um show depende do tipo de seguro garantido pela empresa contratante, explica Campbell.
Na passagem pela América Latina em 2019, Shawn Mendes anunciou um show no Allianz Parque. Após a alta demanda por ingressos, o artista agendou mais um show no estádio no dia anterior à data original. Na sexta, o canadense realizou a performance adicional e, no sábado, quase uma hora e meia após o horário previsto para abertura dos portões do estádio, o show foi cancelado por ordens médicas e risco de danos a longo prazo à voz de Shawn. Thiago não fez o evento, mas comenta que fãs receberam a notícia do cancelamento na fila para entrar no local – algo que poderia ser mais trabalhoso caso o público tivesse um perfil agressivo.
Cancelou. E o público?
Thiago Campbell
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Para Thiago, a maior dificuldade na produção é lidar com as pessoas. Em uma das edições do Lollapalooza, ele precisou travar o acesso do público à tenda de música eletrônica por uma questão de segurança. Na situação, Campbell conta que a resposta do público foi cuspir, discutir e jogar cerveja na equipe de produção. Em algumas outras situações, ele precisou barrar a entrada de pessoas em eventos por conta de os ingressos apresentados serem falsos. Para ele, comportamento do público é sempre passivo-agressivo, com xingamentos e confusões.
Montar palco é fácil, fazer show é fácil, fazer pirotecnia é fácil,
mas lidar com as pessoas é o mais difícil na minha área.
Thiago Campbell
coordenação e operação de shows
1º de abril, Justin Bieber
Thiago Campbell
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Em outra situação no Allianz Parque, Campbell diz que estava trabalhando no show do Justin Bieber em 1º de abril de 2017, pela Purpose Tour. A apresentação contava com uma gaiola de LED, dançarinos e um estádio lotado, com fãs fervorosos cantando todas as letras dos maiores sucessos do canadense.
Em 2013, durante a passagem anterior pelo Brasil, após quase uma hora e meia de atraso para o início do show, Bieber, ao ser atingido por uma garrafa, abandonou o palco sem cantar a música Baby, o maior sucesso da carreira até então.
No show realizado no Dia da Mentira, a produção decidiu fazer uma brincadeira com o público e Thiago foi o escolhido para se apresentar depois de Bieber. Ainda na transição entre a primeira e a segunda música do show, o brasileiro pegou o microfone, subiu no palco, mentiu para um público de mais de 50 mil pessoas ao falar que o show estava encerrado por conta de um problema com Justin.
Em anos de carreira, Thiago reúne um portfólio de diversos eventos como Lollapalooza, Primavera Sound, Tomorrowland, Rock Fest, Summer Breeze, Villa Mix e tantos outros. Ele assistiu o ensaio do Metallica no Lolla, marcado por ser um show de 100 mil espectadores – até então público recorde do festival – junto de 50 pessoas, assim como viu a passagem de som direto do palco do clássico show de Roger Waters no Morumbi. Thiago não tem um show preferido na carreira, mas sim uma história que possui participação de pelo menos 500 nomes da indústria de entretenimento ao vivo.
Thiago trabalha enquanto os shows acontecem, mas já assistiu e admirou ensaios de shows que marcaram o entretenimento ao vivo.
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